Rodrigo Sanches Cunha
Carlos E S BuenoOs mini-implantes, também denominados microimplantes ou pinos de ancoragem representam o principal avanço na ortodontia nos últimos 10 anos. Profissionais habilitados e exames pré-operatórios tais como radiografias e tomografias computadorizada são métodos eficazes para evitar acidentes trans-operatórios. O toque da superfície radicular durante a perfuração do tecido ósseo, ou até mesmo a perfuração radicular podem ter conseqüências desastrosas para o elemento dental, devendo ser criteriosamente analisado.
Iremos subdividir em 3 situações clínicas:
a) Leve resvalamento da superfície radicular, mantendo-se em cemento:
O toque, mesmo que sutil, de uma broca na superfície radicular externa é o suficiente para remover cementoblastos. Estes protegem as raízes das reabsorções, pois não possuem receptores para os mediadores que comandam a reabsorção radicular, impedindo que alterações hormonais, inflamações e estresses peri-radiculares promovem reabsorções dentárias. Ao se removerem cementoblastos um processo de reabsorção inflamatória transitória terá início, principalmente durante a movimentação dentária induzida deste elemento dental. Porém, assim que a força é removida e pela natureza inflamatória da reabsorção, cementoblastos vizinhos à região afetada se proliferam e, em aproximadamente 12 semanas, recobrem a superfície lesada promovendo nova deposição de cemento.1
b) Desgastes maiores, atingindo a camada de dentina, porém sem exposição pulpar:
Se ocorrer um desgaste maior, perfurando o cemento e a dentina, porém, sem afetar a polpa, a conduta deve ser remover o miniimplante e redirecioná-lo. Quanto ao dente perfurado, como não existe comprometimento pulpar, ocorrerá reabsorção radicular por algumas semanas, a inflamação de origem traumática e cirúrgica irá, gradativamente, desaparecendo, com seus mediadores, visto que não houve contaminação bacteriana. Entre 3 e 6 meses, a tendência será dos tecidos periodontais voltarem à normalidade, com recobrimento da área por novo cemento e reinserção das fibras periodontais2. Deve-se realizar controles radiográficos periódicos até a volta completa do espaço periodontal à normalidade.
c) Desgaste excessivo com exposição pulpar:
Se ocorrer exposição pulpar pequena, o paciente for jovem e a polpa estiver livre de processos inflamatórios prévios, a presença de células e o grande metabolismo pulpar promovem reparo daquela região, já que o mais nocivo para o órgão pulpar é a presença de bactérias. Internamente, graças aos odontoblastos, haverá uma nova deposição de dentina e externamente a neodeposição de cemento graças aos cementoblastos. Quando a exposição pulpar for muito grande, ocorrendo esmagamento e destruição de vasos sanguíneos, haverá certamente uma inflamação irreversível levando a necrose do órgão pulpar. O tratamento endodôntico está indicado e, dependendo da amplitude da perfuração, pode ser necessária intervenção cirúrgica para a vedação desta com um cimento de mineral trióxido agregado (MTA).
Referências Bibliográficas:
1- Assecherick K et al. Root repair after injury from mini screw. Clinical Oral Implants Research. V.16; n.5; p. 575-78, 2005
2- Consolaro A et al. Mini Implantes: pontos consensuais e questionamento sobre seu uso clínico. R Dental Press Ortodontia Ortopedia Facial, v. 13; n.5; p.20-27, 2008